Imagine acolher um doguinho em sua casa sabendo que, em um ano, você precisará devolvê-lo. Não porque falhou como tutor. Bem diferente disso… porque teve sucesso em sua missão. É aquele amor imenso que transborda a posse, liberta o outro para que ele transforme a vida de um alguém que precisa ainda mais da companhia do bichinho. O coração das famílias socializadoras é gigante, verdadeiros professores do mundo canino.
Os parceiros voluntários respondem por uma parte vital na formação destes cães. O Instituto Adimax, maior centro de treinamento de cães de assistência da América Latina, explica que durante um ano inteiro essas famílias ensinam tudo aos filhotes, desde andar de elevador, frequentar restaurantes, esperar em filas, lidar com barulho e o movimento. São eles os responsáveis pela construção da base emocional necessária para que eles se tornem cães-guia ou de assistência para pessoas com deficiência.
“A gente diz que a família socializadora apresenta o mundo para esse cão, e isso é feito de uma forma muito responsável, com muito carinho, amor, mas também com regras”, destaca Fabiano Pereira, responsável técnico do Instituto.
Dalete Souza, de Sorocaba, está no seu décimo cão. Atualmente socializa o Café, um labrador espoleta – como todo fiel representante da raça é. “Alguns cães que socializei hoje guiam pessoas com deficiência. Não vou mentir, dá trabalho, mas quando olho o bem que isso vai fazer na vida de uma pessoa, só vejo o resultado”, diz orgulhosa a voluntária.
Entre todos os momentos, evidente, o da despedida é sempre o mais difícil e emocionante. A voluntária Hidelma Ferreira relata que entregar o Pantera (o bonitão da foto), para que ele seguisse ajudando outras pessoas, foi um sentimento dolorido e, ao mesmo tempo, reconfortante. “É como deixar um filho na universidade pela primeira vez. Estou emocionada, chorei muito, mas tenho a sensação de dever cumprido”, conta orgulhosa da missão que o garotão cumprirá no novo lar.
Durante o período de socialização, todas as despesas (alimentação, veterinário, vacinas) são cobertas pelo Instituto. Mas o que essas famílias oferecem não tem preço: tempo, compromisso, educação e, principalmente, a capacidade de amar e depois deixar partir para que outra pessoa ganhe autonomia e independência.
Lindo, não acha? E o melhor é que todos podem fazer parte, contribuindo com o projeto. Acesse o site do Instituto Adimax e se inscreva na aba “famílias socializadoras”. Não é preciso experiência prévia em adestramento, apenas coração grande e disposição para fazer a diferença.
Foto capa: Divulgação/ Instituto Adimax
Fonte: https://entrenospet.substack.com/


