sexta-feira, junho 21, 2024
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No fim, só resta a vida

Certa vez, o Rio Grande do Sul, juntamente com os demais estados do Sul, quis se separar do Brasil para ser um país rico, independente e forte, mas essa ideia foi por água abaixo, pois a Constituição Federal da República não permitia e nem permite a separação dos estados, já que prega a união indissolúvel dos entes federados.

Recentemente, o Rio Grande do Sul sofreu um golpe avassalador, devido as enchentes ocorridas em vários pontos do Estado que deixaram milhares de pessoas sem moradia, sem comida, sem roupa e sem rumo. O Rio Grande do Sul não é mais o mesmo, pois se encontra fragilizado e precisa de ajuda.

Uma tragédia anunciada e relegada. Com enchentes históricas registradas na capital Porto Alegre, em 1941 e em 1967, foi feita um sistema de contenção das cheias dos rios Guaíba e Gravataí na década de 70, mas o descaso com a falta de manutenção e de investimentos fez com que o sistema ficasse vulnerável com vários pontos de abertura para água escorrer. Em 2023, o Rio Grande do Sul já tinha passado por pelo menos, quatro eventos climáticos provocados por ciclones e chuvas persistentes, que deixaram cerca de oitenta mortes, mas não há registros de contenções para sanar o problema mesmo com o alerta de especialistas em variações climáticas.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão do governo federal, inclusive, havia emitido um alerta sobre o risco de um possível desastre no Rio Grande do Sul em 30 de abril deste ano, um pouco antes da primeira morte pelas fortes chuvas no Estado.

A catástrofe, no entanto, serviu para alertamos que não existe o mais forte ou o mais fraco, o mais rico e o mais pobre, o perfeito e o imperfeito, o nordestino e o sulista. Somos todos brasileiros e como povo precisamos de união e não segregação.

Os bens materiais se foram e restou a vida, o bem mais precioso de todos. Na enchente, casas, escolas, hospitais não existem mais, árvores caíram, animais se perderam de seus tutores e até o aeroporto de Porto Alegre alagou. O direito de ir e vir do cidadão foi tolhido pela força da natureza e o descaso dos homens.

Muitos perderam entes queridos, entre eles, crianças, idosos e bebês recém-nascidos que já estão em outro plano. Nessa tragédia, a solidariedade se sobressaiu e muitos voluntários de várias regiões do país deixaram o conforto do lar para ajudar no resgate das pessoas e animais desabrigados.

Encontrar forças para começar de novo, do zero, seja aos 30, 70 anos ou quem sabe 100 anos não vai ser tarefa fácil. Os cidadães de bem perderam quase tudo: bens materiais, perdas emocionais, sonhos e o direito fundamental da dignidade humana que se refere à garantia das necessidades vitais de cada indivíduo, ou seja, um valor intrínseco como um todo. É um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, nos termos do artigo 1º, III da Constituição Federal de 1988, sendo fundamento basilar da República.

No meio de tantas perdas, traumas e dores, há ainda a esperança do recomeço, do tentar de novo, do sol que brilha para todos. Há uma segunda chance de viver e, por isso, como brasileiros, não há espaço para desistência. Em meio a lágrimas, reencontros, perdas, desgastes físicos e emocionais, há uma luz no meio do túnel para seguir em frente sem olhar para trás.

Aliás, é preciso olhar para trás e trilhar novos caminhos para resolver o problema de frente sem burocracia, com recursos financeiros, agilidade e propriedade, porém essa questão não é mais para os sobreviventes, mas sim para as autoridades públicas que precisam arregaçar as mangas e cuidar do Rio Grande do Sul, afinal somos todos Rio Grande do Sul. Somos todos brasileiros.

Jornalista Flávia Varela

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