Um solo fértil e equilibrado é essencial para a produção de alimentos, a preservação da água e o equilíbrio dos ecossistemas. Mas o planeta está em alerta: segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), cerca de 33% dos solos do mundo estão degradados. No Brasil, a estimativa ultrapassa 100 milhões de hectares com algum grau de deterioração.
Apesar do cenário preocupante, há soluções – e elas começam com práticas de manejo mais conscientes. Na Semana do Dia Nacional da Conservação do Solo, celebrado em 15 de abril, o engenheiro agrônomo Elídio Torezani, diretor da Hydra Irrigações, destaca medidas simples e eficazes para quem busca aliar produtividade e preservação ambiental.

Técnicas para conservar
Entre as estratégias mais eficazes de conservação do solo, o plantio direto se destaca por manter resíduos vegetais da cultura anterior sobre o solo, criando uma camada protetora. “Esses restos funcionam como um escudo contra o impacto da chuva e do vento, reduzindo a erosão e a compactação”, explica Torezani.
Com menos compactação, o solo absorve melhor a água da chuva, o que reduz a necessidade de irrigação e contribui para o uso racional dos recursos hídricos.
Na abertura de novas áreas de cultivo, o planejamento deve incluir ações específicas para conter a erosão: plantio em curvas de nível, adequação de estradas para desacelerar o escoamento da água e instalação de caixas secas para reter enxurradas são estratégias indispensáveis. “Mesmo que representem ajustes na mecanização, essas práticas não podem ser ignoradas. A perda de solo é, muitas vezes, irreversível e compromete todo o sistema produtivo”, alerta o engenheiro.
Rotação que renova
Alternar culturas também é essencial para manter o solo saudável. A rotação entre espécies ajuda a evitar o esgotamento de nutrientes e quebra o ciclo de pragas e doenças.
“Sair da monocultura é uma das formas mais simples de manter o equilíbrio do solo. Alternar soja e milho, por exemplo, já traz bons resultados”, afirma Torezani.
Integração e adubação
Torezani também destaca a integração lavoura-pecuária como uma alternativa sustentável e eficaz. Ao unir cultivo e criação de animais em uma mesma área, de forma simultânea ou alternada, o sistema favorece o aproveitamento de nutrientes, amplia a cobertura vegetal e fortalece a fertilidade do solo.
Outra técnica recomendada pelo engenheiro é a adubação verde, feita com plantas como mucuna, crotalária e feijão-guandu. “Essas espécies contribuem para o aumento da matéria orgânica, melhoram a estrutura física do solo e potencializam a retenção de água”, reforça o diretor da Hydra Irrigações.
Responsabilidade de todos
A conservação do solo não é responsabilidade apenas do produtor rural — é um desafio coletivo.
Por isso, para Elídio Torezani, é fundamental reconhecer o solo como um patrimônio comum. A responsabilidade vai desde o uso racional no campo até atitudes cotidianas que fazem diferença, como o descarte adequado de embalagens de defensivos, o controle rigoroso de queimadas e o reflorestamento de áreas degradadas.
“Cada ação conta quando o objetivo é manter o solo vivo e produtivo por mais tempo”, conclui o engenheiro.

