sexta-feira, 31 de julho de 2026 / 17:50
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El Niño acende alerta para a agricultura brasileira

Fenômeno altera o regime de chuvas, eleva as temperaturas e pode provocar prejuízos nas lavouras, na pecuária e no abastecimento de alimentos

O El Niño voltou a colocar o setor agrícola em estado de atenção. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno interfere na circulação da atmosfera e modifica os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo.

Em 2026, o El Niño vem se intensificando e deverá influenciar o clima nos próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial alerta para o aumento da probabilidade de temperaturas acima da média, estiagens em algumas localidades e chuvas intensas em outras. Apesar disso, os efeitos não acontecem de maneira uniforme e podem variar de acordo com a região, a época do ano e a intensidade do fenômeno. Organização Meteorológica Mundial

Impactos diferentes em cada região do Brasil

No Brasil, uma das principais características do El Niño é a distribuição irregular das chuvas. Nas regiões Norte e Nordeste, o fenômeno costuma favorecer períodos mais secos e temperaturas elevadas. A redução da umidade do solo pode prejudicar o desenvolvimento das plantações, diminuir a disponibilidade de água e afetar principalmente as lavouras que dependem diretamente da chuva.

Em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste, os produtores podem enfrentar atraso ou irregularidade no início das chuvas. Isso dificulta a definição do momento correto para o plantio e pode comprometer culturas importantes, como soja, milho, café, feijão, cana-de-açúcar, frutas e hortaliças.

Na Região Sul, o problema geralmente é o excesso de chuva. Solos encharcados, alagamentos e temporais podem dificultar o plantio, a aplicação de defensivos e a colheita. A umidade elevada também cria condições favoráveis ao aparecimento de doenças fúngicas, especialmente em cereais de inverno, como trigo, aveia e cevada. Instituto Nacional de Meteorologia

Calor e seca prejudicam lavouras e animais

A combinação entre temperaturas elevadas e falta de chuva acelera a perda de água do solo e aumenta a necessidade de irrigação. Quando não existe água suficiente, as plantas podem apresentar crescimento reduzido, menor formação de grãos e frutos e queda na produtividade.

A pecuária também sofre. A seca reduz a qualidade e a quantidade das pastagens, encarece a alimentação dos animais e diminui a disponibilidade de água. O calor excessivo pode causar desconforto térmico, afetando o ganho de peso, a reprodução e a produção de leite.

Nas regiões atingidas pelo excesso de chuva, estradas rurais podem ficar danificadas, dificultando o transporte de insumos e o escoamento da produção. Também aumentam os riscos de erosão, perda de nutrientes do solo e danos às estruturas das propriedades.

Consequências podem chegar ao consumidor

Os prejuízos no campo não ficam restritos aos produtores. Quando há redução da oferta de alimentos, perda de qualidade ou aumento dos custos de produção e transporte, os preços podem subir para o consumidor.

Produtos como frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, milho, leite, carne e ovos podem ser afetados direta ou indiretamente. Entretanto, a variação dos preços também depende de outros fatores, como estoques, importações, custos de energia, combustíveis e condições do mercado.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destaca que as alterações de chuva e temperatura associadas ao El Niño representam riscos para as lavouras, a criação de animais, a pesca e a segurança alimentar, atingindo com maior intensidade os pequenos produtores. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

Planejamento ajuda a reduzir os prejuízos

Diante desse cenário, o acompanhamento das previsões meteorológicas torna-se essencial. A Embrapa recomenda que as decisões sejam tomadas de acordo com as condições de cada região, considerando o histórico climático, o tipo de solo, a cultura e a disponibilidade de água. Embrapa

Entre as medidas de prevenção estão o respeito ao calendário do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, a escolha de cultivares mais adaptadas, o manejo adequado do solo, a conservação da água, a revisão dos sistemas de irrigação e drenagem e a contratação de seguro rural.

O El Niño não significa que todas as áreas sofrerão perdas, mas aumenta a possibilidade de eventos climáticos capazes de comprometer a produção. Por isso, informação, monitoramento e planejamento são fundamentais para reduzir riscos e proteger tanto o produtor quanto o abastecimento de alimentos.

Foto: Pexels

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