sábado, junho 22, 2024
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Armadilhas fotográficas capturam diversidade da fauna na Mata Atlântica

Um banco de dados com 43.068 registros obtidos na Mata Atlântica, de 58 espécies diferentes de mamíferos de médio e grande porte foram capturados por 5.380 armadilhas fotográficas, instaladas em 3.007 pontos do Brasil e 39 no Paraguai, coletados ao longo de 16 anos, entre 2004 e 2020.

O acervo foi compilado por mais de 250 pesquisadores de diversas localidades e instituições, incluindo o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Já o resultado foi publicado na revista internacional Ecology no último dia 12. Entre as espécies capturadas estão algumas consideradas vulneráveis, como o bugio-ruivo-do-sul (Alouatta guariba clamitans), e espécies criticamente ameaçadas, como o muriqui (Brachyteles arachnoides). 

As armadilhas fotográficas são essenciais para o monitoramento de animais silvestres, fornecendo dados importantes sobre a fauna em seu habitat natural. O levantamento obteve, por exemplo, registros de 24 espécies ameaçadas, incluindo os primatas bugio-marrom-do-norte (Alouatta guariba guariba) e muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), ambos com apenas um registro fotográfico, evidenciando o nível de ameaça em que se encontram. 

As câmeras revelam a presença de uma rica variedade de animais. Entre eles, estão grandes mamíferos, como anta-brasileira (Tapirus terrestres), com mais de 2 mil registros, onça-pintada (Panthera onca), com 79 registros, e tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), com 74 registros, e mamíferos semi-aquáticos, como capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), com 505 registros, e lontra neotropical (Lontra longicaudis), com 66 registros. Entre os animais mais frequentes estão gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), com 6.171 registros, seguido pelo tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), registrado 4.023 vezes, anta-brasileira, com 2.462 registros, e puma (Puma concolor), com 1.441.

Esses registros, obtidos ao longo de 16 anos, oferecem um retrato da diversidade e da distribuição das espécies na Mata Atlântica. Além de serem um retrato da vida selvagem, também auxiliam na elaboração de estratégias para a conservação. No contexto deste estudo, esses dados são essenciais para compreender a ecologia das espécies e subsidiar decisões relacionadas à conservação, fornecendo evidências objetivas para embasar políticas e práticas de manejo.

“Existem desafios ambientais, como perda de habitat e ameaça constante da caça de inúmeras espécies da Mata Atlântica. A utilização das armadilhas fotográficas, por exemplo, pode indicar como as espécies estão distribuídas em uma área e quais fatores influenciam a distribuição, informação primordial para ações de conservação e manejo”, explica Flávia Chaves, pesquisadora do INMA e uma das autoras do artigo. 

A ausência de espécies-chave, como onça-pintada, anta, queixada e muriqui, em 88% dos remanescentes da Mata Atlântica, evidencia que a população de mamíferos na Mata Atlântica vem diminuindo ao longo dos anos. “Diante desse cenário,cada nova descoberta é importante para a compreensão das interações que ocorrem na Mata Atlântica. A utilização de armadilhas fotográficas permite um impulso no conhecimento da fauna de um determinado ambiente e momento, pois fornece um panorama real da biodiversidade, possibilitando uma identificação mais segura das espécies”, destaca Juliana Silva, pesquisadora do INMA, também autora do trabalho.

Esse estudo faz parte da série “ATLANTIC: Data Papers from a biodiversidade hotspot”, que, desde 2018, fornece dados sobre composição e distribuição da comunidade de plantas e animais da Mata Atlântica. Os dados que integram essa série estão disponíveis para uso público, sem restrições de direitos autorais. Ao utilizá-los, devem ser devidamente citados, assegurando o reconhecimento do trabalho dedicado à coleta e à análise dessas informações essenciais.

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