Soja, café, milho, bovinos e leite ficaram entre as principais pressões de alta, enquanto o índice geral recuou 0,22%
O agronegócio ganhou destaque no resultado do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de agosto de 2026. Embora o indicador geral tenha registrado queda de 0,22%, os produtos agropecuários avançaram 2,73% no período e ajudaram a impedir uma retração mais intensa.
A variação representa uma mudança expressiva em relação a julho, quando os preços agropecuários haviam recuado 0,20%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
Soja lidera as altas no campo
A soja em grão apresentou uma das maiores elevações entre os produtos analisados, com avanço de 8,68% em agosto. O café em grão subiu 5,15%, enquanto o milho registrou aumento de 3,61%.
Os bovinos, que haviam recuado 3,61% em julho, passaram a registrar alta de 2,33%. O leite in natura também manteve a trajetória de elevação, com aumento de 3,53% no mês.
As principais altas agropecuárias foram:
- soja em grão: 8,68%;
- café em grão: 5,15%;
- milho em grão: 3,61%;
- leite in natura: 3,53%;
- bovinos: 2,33%.
Esses movimentos contribuíram para que as matérias-primas brutas, após uma queda de 3,89% em julho, apresentassem alta de 0,88% em agosto.
Nem todos os produtos acompanharam a alta
Apesar do avanço do conjunto de produtos agropecuários, alguns alimentos registraram quedas expressivas. No atacado, a batata-inglesa recuou 32,17%, o feijão em grão caiu 13,55% e a cebola apresentou redução de 13,92%.
O resultado mostra que o comportamento dos preços no campo não foi uniforme. Enquanto grãos, pecuária e leite pressionaram o índice para cima, determinadas hortaliças e outros produtos alimentícios seguiram na direção contrária.
Agro contrasta com queda dos produtos industriais
Os preços agropecuários avançaram 2,73%, mas os produtos industriais recuaram 1,35%. Essa diferença fez com que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição do IGP-M, encerrasse agosto com queda de 0,34%.
O recuo do IPA foi menor que o registrado em julho, quando o componente havia caído 1,74%. Segundo a análise da FGV, a redução dos preços industriais foi parcialmente compensada justamente pela alta observada no setor agropecuário.
Alta no atacado pode chegar ao consumidor?
A valorização de produtos agropecuários no atacado pode influenciar futuramente os preços dos alimentos, mas esse repasse não ocorre necessariamente de forma imediata ou integral. Entre a produção rural e o consumidor final existem custos de processamento, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização.
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), por exemplo, o grupo Alimentação ainda registrou queda de 0,67% em agosto. Itens como tomate e batata-inglesa ficaram mais baratos para as famílias, enquanto o leite longa vida avançou 2,16%.
IGP-M permanece negativo pelo segundo mês
Mesmo com a pressão exercida pelo agronegócio, o IGP-M caiu 0,22% em agosto, após recuar 1,16% em julho. O indicador acumula alta de 1,85% em 2026 e de 2,16% nos últimos 12 meses.
O levantamento de agosto considerou os preços coletados entre 21 de julho e 20 de agosto. O resultado evidencia a força do setor agropecuário dentro da formação dos preços no país: em um mês de queda do índice geral, a valorização dos produtos do campo funcionou como um importante contrapeso às reduções registradas na indústria e no consumo.





