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El Niño muito forte acende alerta para o agro brasileiro na safra 2026/2027

Fenômeno pode aumentar o excesso de chuva no Sul e agravar períodos de estiagem e irregularidade das precipitações em outras regiões do país

O avanço do El Niño coloca produtores rurais em estado de atenção para a safra 2026/2027. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um episódio muito forte entre a primavera e o verão. Há ainda 69% de chance de que o fenômeno alcance intensidade histórica, superando os eventos registrados desde 1950.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica a distribuição das chuvas e das temperaturas em diversas partes do mundo.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o atual episódio começou em junho e deve permanecer, pelo menos, até março de 2027. Os primeiros reflexos já foram observados na Região Sul, onde algumas localidades registraram, em julho, volumes de chuva entre 30% e 90% superiores à média do mês.

Impactos variam entre as regiões

No Sul do Brasil, o principal risco é o excesso de chuva. A elevada umidade pode provocar encharcamento do solo, erosão, alagamentos e dificuldades para a entrada de máquinas nas lavouras. O ambiente úmido também favorece o surgimento de doenças fúngicas e pode comprometer a qualidade dos grãos.

As culturas de inverno, como trigo, aveia e cevada, estão entre as mais vulneráveis, principalmente quando as chuvas intensas coincidem com as fases de floração, enchimento e maturação dos grãos. Nas culturas de verão, como soja e milho, a maior disponibilidade de água pode inicialmente favorecer o desenvolvimento das plantas, mas o excesso de precipitação também pode atrasar o plantio, dificultar os tratos culturais e prejudicar a colheita.

Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência associada ao El Niño é de chuvas mais irregulares e períodos de estiagem mais prolongados. A redução da umidade do solo pode afetar especialmente as lavouras de sequeiro, que dependem diretamente das precipitações para seu desenvolvimento.

Partes do Centro-Oeste e do Sudeste também podem enfrentar veranicos, temperaturas elevadas e atraso na regularização das chuvas. Esse cenário aumenta o risco de problemas na implantação das lavouras de soja e milho e pode elevar a necessidade de irrigação.

A pecuária igualmente está sujeita aos impactos. A falta de chuva reduz a disponibilidade e a qualidade das pastagens, além de afetar reservatórios e fontes utilizadas para a dessedentação dos animais. As temperaturas elevadas também podem causar estresse térmico, reduzindo o ganho de peso e a produção de leite.

Atenção ao agro capixaba

No Espírito Santo, os efeitos devem ser acompanhados com atenção, especialmente nas atividades ligadas à cafeicultura, fruticultura, produção de hortaliças e pecuária. A irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar a demanda por irrigação, pressionar a disponibilidade de água e interferir em etapas importantes do desenvolvimento das culturas.

Na cafeicultura, por exemplo, a distribuição das chuvas é tão importante quanto o volume total acumulado. Períodos secos ou chuvas concentradas em poucos dias podem interferir na florada, na formação dos frutos e no planejamento do manejo das lavouras.

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) já vem promovendo debates sobre os riscos do El Niño 2026/2027 para a agricultura e a pecuária do Espírito Santo, reforçando a necessidade de monitoramento e preparação antecipada.

Planejamento pode reduzir prejuízos

Embora o produtor não possa impedir a ocorrência do fenômeno, algumas medidas podem reduzir seus impactos. Entre elas estão o acompanhamento das previsões meteorológicas oficiais, a observância do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento do plantio e a manutenção da cobertura do solo.

Também são recomendados o uso eficiente da irrigação, a conservação e o armazenamento responsável de água, a revisão dos sistemas de drenagem, o monitoramento mais frequente de pragas e doenças e a contratação de seguro rural, quando disponível.

É importante destacar que o El Niño aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos, mas não significa que todas as regiões enfrentarão os mesmos efeitos. A intensidade dos impactos dependerá também da influência de outros oceanos, das condições atmosféricas e das características de cada localidade.

Por isso, o acompanhamento das informações divulgadas pelo Inmet, Incaper, Embrapa e demais instituições oficiais será fundamental para que o produtor tome decisões mais seguras ao longo da safra 2026/2027.

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