Chuva, vento e queda de temperatura podem agravar a situação de cães e gatos que vivem nas ruas; população pode ajudar com medidas simples
A passagem de uma frente fria pelo Espírito Santo neste fim de semana acende um alerta para a situação dos animais abandonados. Sem acesso a locais protegidos, alimentação regular ou abrigo adequado, cães e gatos que vivem nas ruas ficam ainda mais vulneráveis durante períodos de chuva, vento e temperaturas mais baixas.
De acordo com a previsão atualizada do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a frente fria deve passar pelo litoral capixaba no sábado (22), provocando aumento da nebulosidade e chuva principalmente pela manhã na faixa litorânea. Na Região Serrana, há possibilidade de chuva fraca e isolada. As temperaturas devem apresentar ligeira diminuição, enquanto os ventos podem soprar com intensidade moderada no litoral.
No domingo (23), a frente fria começa a se afastar, mas ainda pode provocar chuva rápida no litoral e no extremo norte do Estado.
Embora a queda prevista não seja considerada extrema, a combinação entre baixas temperaturas, umidade e vento representa risco para os animais que permanecem ao relento. Quando o pelo fica molhado, o organismo perde calor com maior rapidez, aumentando a possibilidade de hipotermia e problemas respiratórios.
Filhotes e idosos são mais vulneráveis
Filhotes, animais idosos, cães de pelo curto e aqueles que estão magros, doentes ou debilitados apresentam maior dificuldade para conservar a temperatura corporal. No caso dos animais abandonados, a vulnerabilidade é ampliada pela falta de vacinação, alimentação insuficiente e exposição permanente ao ambiente.
Segundo orientações de conselhos de Medicina Veterinária, o frio pode favorecer o aparecimento de doenças respiratórias em cães e gatos. Tremores persistentes, sonolência, fraqueza, desorientação, falta de apetite, dificuldade para respirar e extremidades muito frias estão entre os sinais que exigem atenção.
A hipotermia pode ser fatal. Por isso, um animal encontrado molhado, imóvel, muito abatido ou com dificuldade para se manter em pé deve ser aquecido gradualmente e encaminhado para atendimento veterinário o mais rápido possível.
Como ajudar um animal durante o frio
A população pode contribuir oferecendo um abrigo improvisado em local protegido da chuva e do vento. Caixas resistentes, casinhas ou estruturas cobertas podem ser forradas com papelão, mantas ou tecidos secos. O abrigo deve ficar elevado do chão e sua abertura precisa estar voltada para o lado contrário ao vento.
As cobertas devem ser verificadas e substituídas sempre que estiverem molhadas. Um tecido úmido pode piorar a perda de calor em vez de proteger o animal.
Também é possível deixar água limpa e alimento em um ponto seguro, longe do trânsito e protegido da chuva. Quem tiver condições pode oferecer lar temporário durante os dias mais frios ou procurar uma associação, protetor independente ou serviço municipal para viabilizar o acolhimento.
O aquecimento deve ser feito com cuidado. Água muito quente, secadores em temperatura elevada, fogueiras e aquecedores próximos ao animal podem causar queimaduras. Bolsas de água morna, quando utilizadas, devem ser envolvidas em uma toalha e nunca colocadas diretamente sobre a pele.
Atenção antes de ligar o carro
Nos dias frios, gatos e outros animais pequenos podem procurar abrigo próximo ao motor ou nas rodas dos veículos. Antes de ligar o carro, é importante bater levemente no capô, verificar as rodas e aguardar alguns segundos. Essa atitude simples pode evitar ferimentos graves e mortes.
A mudança no tempo também reforça a importância da adoção responsável. Recolher um animal apenas durante o frio e devolvê-lo posteriormente à rua não resolve o problema do abandono. Sempre que possível, o acolhimento deve ser acompanhado de avaliação veterinária, vacinação, castração e busca por uma família responsável.
A frente fria deve ser passageira, mas a vulnerabilidade dos animais abandonados permanece durante todo o ano. Neste fim de semana, oferecer um espaço seco, uma manta, alimento ou atendimento pode representar a diferença entre a vida e a morte.





