segunda-feira, 7 de setembro de 2026 / 13:25
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Tecnologia de irrigação por gotejamento evita desperdício de água

A produção agrícola no Brasil passa pela pior seca dos últimos 70 anos, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde 1950, o país não registrava uma crise hídrica tão severa que exige novas estratégias para conter as mudanças drásticas no solo. Segundo último levantamento do Cemaden em agosto, 3.978 municípios estavam enfrentando algum grau de seca, sendo 201 em condição extrema.

Diante dessa realidade, o uso eficiente da água tornou-se uma prioridade no campo, e a irrigação por gotejamento desponta como uma das principais soluções. A tecnologia permite uma economia significativa de água, reduzindo o desperdício e otimizando a produção, ao fornecer pequenas quantidades de água diretamente às raízes das plantas.

“O sistema de gotejamento não apenas melhora a eficiência no uso da água, como também oferece um controle rigoroso da quantidade utilizada em cada planta, algo essencial em períodos de escassez como esse”, afirma o engenheiro agrônomo Elídio Torezani.

A principal vantagem do gotejamento é sua capacidade de otimizar o uso dos recursos hídricos. Ao liberar pequenas quantidades de água de forma contínua e diretamente nas raízes das plantas, a tecnologia garante que as necessidades da cultura sejam atendidas sem excessos.

“Com o gotejamento, o controle é muito maior. O agricultor pode ajustar o volume de água conforme o desenvolvimento da planta, evitando desperdícios e promovendo um uso mais racional da água”, comenta Torezani.

Além da economia de água, que pode chegar até a 50% em comparação aos sistemas tradicionais, o gotejamento traz outros benefícios econômicos e ambientais. A redução do uso de água também diminui a necessidade de fertilizantes e nutrientes, já que o sistema permite uma aplicação mais controlada e direcionada.

O cenário no Espírito Santo

No Espírito Santo, o Estado de Alerta foi decretado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), impondo uma redução de 20% no volume diário de água destinado à irrigação agrícola, conforme a Resolução nº 003/2024. O uso da água nas primeiras horas da manhã ou ao final da tarde é recomendado para reduzir as perdas por evaporação. “É essencial que os produtores ajustem o tempo de irrigação de acordo com a umidade do solo, garantindo um uso mais racional dos recursos”, reforça Torezani.

O uso industrial e agroindustrial no estado também terá uma redução de 25% no volume de água captada, e outras finalidades terão que diminuir seu consumo em até 35%. Nesse cenário, a agricultura precisa continuar buscando alternativas para se adaptar, e tecnologias como o gotejamento são indispensáveis para garantir que a produção se mantenha viável sem comprometer os recursos naturais.

“O gotejamento representa uma das melhores soluções para o agricultor enfrentar a escassez hídrica sem prejudicar a produtividade. É uma tecnologia que alia eficiência e sustentabilidade, permitindo que o produtor cumpra as restrições e aumente sua rentabilidade”, finaliza Torezani.

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