A primeira fábrica de supressor de poeira à base de plástico PET, Biosolvit, já está em plena atividade desde o último dia 14 de junho, em Cariacica. O produto, desenvolvido pela Vale em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), evita a emissão de poeira, reduz o descarte de lixo e gera renda para catadores de material reciclável
O supressor possui capacidade instalada para consumir 70 toneladas de plástico por mês e será usado nas operações da Vale na Unidade Tubarão, em Vitória, e também no carregamento de vagões ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas e em algumas operações de Minas Gerais. Ele tem potencial para retirar do meio ambiente todos os meses mais de 1 milhão de garrafas PET para a produção no Espírito Santo, que deve chegar a 400 mil litros/mês em 2024.
Segundo o reitor da Ufes, Eustaquio de Castro, o processo inovador nasceu dentro da Ufes, a partir de uma necessidade identificada e apresentada pela empresa. “É um exemplo bem-sucedido de como o conhecimento científico e a pesquisa acadêmica podem atuar junto com a iniciativa privada para proporcionar desenvolvimento econômico aliado a melhorias sociais e ambientais em benefício de toda a população”, destaca.
O supressor de poeira é um controle ambiental comumente usado nas operações da empresa e pode ser feito de várias matérias-primas, como glicerina, mas a produção a partir da reciclagem do plástico é inédita e patenteada pela Vale e pela Ufes. Desde 2013, universidade e empresa realizaram testes e validações técnicas em escalas de laboratório e piloto que atestam a eficiência do produto.
A instalação da fábrica em Cariacica faz parte da estratégia da Vale para viabilizar a produção do supressor em larga escala, por meio do desenvolvimento de fornecedores parceiros com o sublicenciamento da patente. A expectativa é ampliar a operação da Biosolvit com a construção de uma fábrica em Minas Gerais, em local a ser definido por estudos técnicos. O investimento previsto é de cerca de R$ 30 milhões ao longo dos próximos anos.
Além de garrafas PET transparentes e verdes, o processo de produção do supressor sustentável também é capaz de aproveitar outros materiais considerados de baixa reciclabilidade, como o plástico PET utilizado em bandejas e garrafas de todas as cores, como as pretas de bebidas energéticas, que hoje vão para os aterros sanitários.

