Nos mamíferos, o cuidado com os filhotes é quase sempre materno. A gestação e a amamentação já garantem um vínculo fisiológico entre mãe e filhote, o que favorece o cuidado contínuo após o nascimento.
Nas aves, porém, o cuidado tende a ser biparental. Machos e fêmeas se revezam para chocar os ovos e alimentar os filhotes — algo favorecido pela necessidade de manter os ovos aquecidos constantemente. Essa necessidade moldou até mesmo o comportamento monogâmico temporário de muitas espécies durante a época de reprodução.
Já em algumas espécies de peixes, como o cavalo-marinho, o cuidado é assumido quase que exclusivamente pelo pai: é o macho que carrega os ovos fecundados em uma bolsa até que os filhotes estejam prontos para nadar sozinhos.
E o ser humano?
No caso dos humanos, o cenário é curioso. Do ponto de vista biológico, as mães são quem garantem a sobrevivência inicial dos filhos — desde a gestação até a amamentação. Mas a espécie humana se destaca por outro fator: a transmissão cultural.
Mais do que apenas alimentar e proteger, os pais humanos têm a possibilidade única de ensinar, educar e transmitir valores. A herança cultural, somada à genética, é o que faz da nossa espécie algo singular.
Assim, o “bom pai humano” é aquele que, mesmo não sendo biologicamente necessário como cuidador direto nos primeiros meses de vida, escolhe estar presente, amar, ensinar e participar ativamente do desenvolvimento dos filhos.
Essa decisão, cultural e consciente, tem um impacto profundo na vida das crianças — e também na sociedade como um todo.
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“O bom pai não é apenas aquele que provê; é aquele que está presente. E, felizmente, cada vez mais homens estão descobrindo esse privilégio”, conclui a autora do artigo original, A. Victoria de Andrés Fernández, professora da Universidade de Málaga.

