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Deixar o pet sozinho no carro pode causar hipertermia e até a morte

Mesmo com os vidros parcialmente abertos ou durante uma parada rápida, o interior do veículo pode se transformar em uma armadilha fatal para cães e gatos

Deixar um animal de estimação dentro do carro enquanto o tutor resolve uma tarefa aparentemente rápida pode ter consequências graves. Em poucos minutos, a temperatura no interior do veículo pode subir intensamente, expondo o pet ao risco de desidratação, hipertermia, danos aos órgãos e até morte.

O alerta ganhou repercussão após a Guarda Nacional Republicana (GNR), de Portugal, chamar a atenção para o perigo dessa prática. Segundo a autoridade, manter os vidros parcialmente abertos não é suficiente para impedir o superaquecimento do automóvel. Dependendo das condições climáticas e da exposição ao sol, o interior de um carro estacionado pode alcançar temperaturas entre 50°C e 60°C. (5News)

O risco também existe quando o veículo está estacionado à sombra ou quando o dia não parece excessivamente quente. A movimentação do sol, a falta de circulação de ar e o aquecimento das superfícies internas podem elevar rapidamente a temperatura.

Por que os animais sofrem tanto dentro do veículo?

Cães e gatos não controlam a temperatura corporal da mesma maneira que os seres humanos. Os cães, por exemplo, eliminam calor principalmente pela respiração ofegante e, em menor proporção, pelas regiões das patas.

Dentro de um ambiente fechado e aquecido, esse mecanismo pode não ser suficiente. Quanto mais o animal fica ofegante, mais água perde, aumentando o risco de desidratação e de colapso provocado pelo calor.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo orienta que nenhum animal seja deixado preso em locais que possam esquentar, como carros e casinhas sem ventilação. A exposição ao calor excessivo pode provocar hipertermia, uma elevação perigosa da temperatura corporal. (CRMV-SP)

Alguns animais apresentam risco ainda maior, como:

  • cães de focinho curto, entre eles pug, buldogue, boxer e shih-tzu;
  • animais idosos ou filhotes;
  • pets obesos;
  • animais com doenças cardíacas ou respiratórias;
  • cães e gatos de pelagem muito densa;
  • animais debilitados ou desidratados.

Sinais de que o pet está sofrendo com o calor

Os responsáveis devem ficar atentos a sintomas como respiração muito acelerada, salivação excessiva, língua intensamente avermelhada ou arroxeada, fraqueza, desorientação, vômitos, tremores e dificuldade para permanecer em pé.

Nos casos mais graves, o animal pode apresentar convulsões, perda de consciência e falência de órgãos. Trata-se de uma emergência que exige atendimento veterinário imediato.

Enquanto o pet é levado à clínica, o resfriamento deve ser feito de maneira gradual. Ele pode ser colocado em um local fresco e ventilado, com aplicação de água fresca — não gelada — no corpo. Gelo ou água extremamente fria devem ser evitados, pois a mudança brusca de temperatura pode agravar o quadro. Também não se deve forçar a ingestão de água quando o animal estiver inconsciente ou com dificuldade para engolir. (CRMV-SP)

Vidro aberto e ar-condicionado não eliminam o perigo

Deixar uma pequena abertura nas janelas praticamente não altera o aquecimento do veículo. Manter o carro ligado com o ar-condicionado também não é uma alternativa segura, já que o sistema pode falhar, o motor pode desligar e o animal pode permanecer sem supervisão diante de uma emergência.

Se o tutor não puder levar o pet ao estabelecimento ou ao local de destino, a escolha mais segura é deixá-lo em casa, sob os cuidados de alguém responsável ou em um ambiente apropriado.

A prática pode ser considerada maus-tratos

No Brasil, deixar um animal preso em um carro, especialmente sob calor e sem ventilação adequada, pode ser enquadrado como maus-tratos, conforme as circunstâncias verificadas pelas autoridades.

O artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998 criminaliza atos de abuso e maus-tratos contra animais. Quando a vítima é um cão ou gato, a pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda. (www2.camara.leg.br)

O que fazer ao encontrar um animal preso em um carro?

Ao perceber que um pet está sozinho dentro de um veículo, principalmente se estiver ofegante, desorientado ou sem reação, a orientação é:

  • acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190;
  • anotar a placa e a localização do veículo;
  • registrar a situação por meio de fotos e vídeos;
  • tentar localizar o responsável com a ajuda de funcionários ou da administração do estabelecimento;
  • procurar testemunhas que possam acompanhar a ocorrência;
  • seguir as orientações das autoridades durante o atendimento.

Quebrar o vidro por iniciativa própria pode gerar discussões jurídicas e riscos físicos. Por isso, sempre que houver tempo, o mais seguro é acionar as autoridades e documentar a emergência. Se o estado do animal indicar risco imediato de morte, informe claramente essa condição durante a ligação.

Não existe uma “parada rápida” que justifique colocar a vida de um animal em perigo. Em dias quentes, poucos minutos são suficientes para transformar o interior de um veículo em um ambiente sufocante. Prevenção, planejamento e responsabilidade continuam sendo as formas mais eficazes de proteger os animais.

Fonte da pauta: alerta divulgado pela Guarda Nacional Republicana de Portugal. Informações complementares: legislação brasileira e orientações dos Conselhos de Medicina Veterinária.

Foto: © Shutterstock

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