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Animais na escola: projetos unem educação, inclusão e respeito à vida

Iniciativas realizadas em diferentes regiões do Brasil utilizam a convivência orientada com animais para estimular a leitura, promover a inclusão e ensinar guarda responsável

A presença de animais no ambiente escolar vem ganhando espaço em projetos educacionais desenvolvidos por universidades e administrações públicas brasileiras. Com planejamento e acompanhamento profissional, cães e outros animais participam de atividades voltadas à leitura, à inclusão de crianças com deficiência e à conscientização sobre guarda responsável.

Essas iniciativas não consistem simplesmente em colocar um animal dentro da escola. São ações previamente organizadas, com objetivos pedagógicos definidos e cuidados destinados a preservar a segurança dos estudantes e o bem-estar dos animais.

Leitura sem medo de errar

Um dos trabalhos estudados no Brasil envolve crianças que leem histórias para cães preparados para participar de intervenções assistidas por animais. A proposta busca oferecer um ambiente acolhedor, especialmente para estudantes tímidos ou inseguros durante a leitura em voz alta.

Uma pesquisa qualitativa desenvolvida na Universidade Federal de Pelotas acompanhou crianças do Ensino Fundamental em atividades de leitura para cães coterapeutas. Os participantes relataram que se sentiam mais à vontade para ler porque os animais permaneciam ao lado delas sem julgamentos ou correções.

Os resultados apontaram melhora na disposição para a leitura, redução da vergonha e maior liberdade para se expressar. Entretanto, por se tratar de um estudo realizado com um grupo pequeno, as conclusões não devem ser generalizadas para todos os estudantes. Os dados indicam potencial pedagógico, mas não significam que a presença do animal substitua o trabalho de professores ou profissionais de saúde. A pesquisa está disponível no repositório da UFPel.

Inclusão educacional em Santa Catarina

No Câmpus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina, o Laboratório de Tecnologia Assistiva utiliza cães em algumas atividades educacionais desde 2018. Um dos estudos buscou avaliar como essa interação poderia contribuir para a alfabetização e a leitura de crianças com deficiências múltiplas.

Em 2024, quatro crianças em idade escolar eram atendidas pelo laboratório. Durante as atividades, a cadela Lua participava como elemento de motivação e vínculo. A equipe observou maior adesão às tarefas quando o animal estava presente e iniciou avaliações, inclusive com eletroencefalograma, para investigar alterações relacionadas à atenção.

O próprio IFSC informou, porém, que a pesquisa ainda estava em desenvolvimento. Portanto, as observações iniciais não devem ser tratadas como comprovação definitiva de eficácia. Conheça o projeto do IFSC.

Guarda responsável nas escolas de Vitória

No Espírito Santo, o projeto Guarda Responsável de Animais Domésticos e Bem-Estar Animal levou atividades educativas às escolas municipais de Vitória em 2024. Desenvolvida pelo Centro de Educação Ambiental Mata da Praia, a iniciativa abordou alimentação, saúde, vacinação, prevenção ao abandono e responsabilidades envolvidas na decisão de ter um animal.

Segundo a Prefeitura de Vitória, o trabalho continuou sendo realizado em escolas e outros espaços da cidade. Em balanço divulgado em 2025, o município informou que o projeto Guarda Responsável havia alcançado mais de 8.500 pessoas em 251 ações educativas. Veja os dados divulgados pela Prefeitura de Vitória.

Ao contrário das intervenções voltadas à terapia ou à alfabetização, esse tipo de projeto utiliza o contato com os animais principalmente como instrumento de educação ambiental e formação cidadã.

Projeto pretende alcançar 115 unidades em Maringá

Em abril de 2026, a Prefeitura de Maringá, no Paraná, realizou uma ação do projeto Aluno Amigo dos Animais com estudantes do 1º ao 5º ano. A atividade teve palestras, materiais informativos e a participação de Joca, apresentado pelo município como “cão servidor”.

As crianças receberam orientações sobre vacinação, castração, higiene, alimentação, cuidados veterinários, diferenças entre animais domésticos e silvestres e prevenção de maus-tratos. De acordo com a prefeitura, a previsão é ampliar o projeto para as 53 escolas municipais e os 62 Centros Municipais de Educação Infantil, totalizando 115 unidades. Confira as informações da Prefeitura de Maringá.

São Paulo combina leitura e proteção animal

A Prefeitura de São Paulo mantém o programa Escola Amiga dos Animais, desenvolvido pela Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico. Entre as iniciativas estão os projetos Superguardião e Leitura.

Na atividade de leitura, as crianças aprendem inicialmente a interpretar o comportamento dos animais. Depois, leem livros ou histórias produzidas por elas próprias e participam de uma interação supervisionada com cães, gatos e animais de fazenda alojados no Centro Municipal de Adoção.

Segundo o município, a atividade dura aproximadamente uma hora e meia e também procura favorecer a socialização dos animais que aguardam adoção. Conheça o programa Escola Amiga dos Animais.

Presença exige planejamento e responsabilidade

Apesar dos resultados positivos relatados, levar animais para a escola exige cuidados. Antes da atividade, é necessário avaliar possíveis alergias, medo ou desconforto dos estudantes. A interação não deve ser obrigatória.

O animal também precisa estar saudável, vacinado, higienizado, socializado e acompanhado por um condutor capacitado. Deve haver controle do número de participantes, períodos de descanso, acesso à água e um local tranquilo para o animal se afastar quando demonstrar cansaço ou desconforto.

Além disso, uma visita educativa não deve ser chamada automaticamente de “terapia”. A terapia assistida por animais possui objetivos individualizados, acompanhamento especializado e avaliação de resultados. Já palestras, encontros recreativos e atividades de conscientização são geralmente classificadas como educação ou atividade assistida por animais.

Quando respeitam esses limites, os projetos mostram que os animais podem participar da vida escolar de maneira responsável. Mais do que despertar a curiosidade das crianças, eles ajudam a abrir espaço para conversas sobre leitura, inclusão, empatia, saúde pública e respeito a todas as formas de vida.

Foto: Prefeitura de SP

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