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Estatuto dos Cães e Gatos avança no Senado e amplia proteção aos animais

Projeto reconhece cães e gatos como seres sencientes e estabelece responsabilidades para tutores, sociedade e poder público

A criação de uma legislação nacional específica para a proteção de cães e gatos avançou no Senado Federal. O Projeto de Lei nº 6.191/2025, que institui o Estatuto dos Cães e Gatos, foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e atualmente está em análise na Comissão de Meio Ambiente.

Composto por 54 artigos, o projeto estabelece princípios, direitos e responsabilidades relacionados à proteção, à saúde e ao bem-estar dos animais. Um dos principais pontos da proposta é o reconhecimento expresso de cães e gatos como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor, medo, sofrimento, prazer e afeição.

Na prática, o estatuto pretende criar um marco nacional para orientar a atuação dos tutores, da sociedade e do poder público. O texto prevê deveres relacionados à alimentação adequada, ao acesso à água, à assistência veterinária, à segurança, à higiene, à socialização e à proteção contra abandono e maus-tratos.

Responsabilidade dos tutores

A proposta reforça que ter um animal exige responsabilidade permanente. Os responsáveis deverão garantir condições adequadas de vida, oferecer atendimento veterinário quando necessário e impedir que o cão ou gato seja exposto a situações de violência, negligência ou sofrimento.

O estatuto também busca incentivar a guarda responsável e o controle populacional ético, principalmente por meio de programas de castração, identificação e conscientização. A intenção é diminuir o número de animais abandonados e evitar reproduções descontroladas.

Outro ponto relevante é a proteção dos chamados animais comunitários, que não possuem um único tutor, mas recebem alimentação e cuidados de moradores, comerciantes ou grupos de determinada região. O projeto prevê a participação da sociedade na proteção desses animais e orienta a criação de políticas públicas específicas.

Deveres do poder público

Caso a proposta seja aprovada definitivamente e transformada em lei, o poder público deverá desenvolver programas voltados ao atendimento veterinário, ao manejo populacional, à fiscalização e à prevenção dos maus-tratos.

Também deverão ser promovidas campanhas educativas sobre adoção responsável, abandono, vacinação, castração e cuidados básicos. A proposta procura, assim, substituir práticas improvisadas por uma política permanente de proteção animal.

Projeto ainda não está em vigor

Apesar do avanço no Senado, o Estatuto dos Cães e Gatos ainda não é lei. Após a aprovação na CCJ, o projeto seguiu para a Comissão de Meio Ambiente, onde recebeu parecer favorável do relator, senador Fabiano Contarato. Em 1º de setembro, foi concedido pedido de vista, permitindo mais tempo para a análise da matéria.

Depois de concluída a tramitação no Senado, o texto ainda poderá precisar passar pela Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial.

A proposta representa um importante passo para reunir, em uma única legislação, regras nacionais de proteção aos cães e gatos. Além de aumentar a responsabilização por maus-tratos, o estatuto reforça uma mudança que já ocorre na sociedade: os animais são seres que precisam de cuidado, respeito e proteção durante toda a vida.

Fonte: Senado Federal – PL nº 6.191/2025

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