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Morte de sagui raro na ES-164 reforça alerta sobre atropelamentos de animais silvestres

Encontrado na região de Pedra Azul, sagui-da-serra-claro pertence a uma das espécies de primatas mais ameaçadas do planeta

A morte de um sagui-da-serra-claro após um atropelamento na rodovia ES-164 acendeu um novo alerta sobre os riscos enfrentados pelos animais silvestres nas estradas que atravessam áreas de Mata Atlântica no Espírito Santo.

O animal foi encontrado no dia 22 de junho, na região turística de Pedra Azul, pelo biólogo Gabriel Falquetto, que atua no monitoramento da fauna e dos atropelamentos nas proximidades da Reserva Particular do Patrimônio Natural Kaetés.

O sagui-da-serra-claro, de nome científico Callithrix flaviceps, é classificado como criticamente em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Essa é a categoria de ameaça mais grave antes de a espécie ser considerada extinta na natureza.

Estimativas citadas por especialistas apontam que existam cerca de 2,5 mil indivíduos vivendo em liberdade. Por isso, a perda de um único animal pode representar um impacto significativo para a conservação e a reprodução da espécie.

Espécie vive em áreas restritas da Mata Atlântica

Encontrado principalmente em regiões de altitude do Espírito Santo e de Minas Gerais, o sagui-da-serra-claro possui distribuição geográfica limitada. O pequeno primata apresenta pelagem em diferentes tonalidades de marrom e está adaptado às temperaturas mais baixas das áreas montanhosas.

A espécie depende da preservação dos fragmentos florestais para encontrar alimento, abrigo e parceiros para reprodução. Entretanto, a destruição da vegetação nativa e a abertura de estradas dividem seu habitat, obrigando os animais a enfrentar trajetos cada vez mais perigosos.

A ES-164 atravessa uma região de relevante riqueza ambiental e próxima a remanescentes de Mata Atlântica. O movimento intenso de veículos, principalmente durante finais de semana, feriados e períodos de maior procura turística por Pedra Azul, aumenta o risco de colisões com a fauna.

Além do sagui-da-serra-claro, a região abriga outras espécies ameaçadas, como a saíra-apunhalada, ave rara que também depende da conservação das florestas capixabas.

Pontes de corda podem oferecer travessia segura

Uma das alternativas utilizadas para reduzir os atropelamentos de primatas e outros animais arborícolas são as chamadas pontes de dossel. Construídas com cordas e estruturas suspensas, elas conectam as copas das árvores localizadas em lados diferentes de uma estrada.

As passagens permitem que os animais atravessem sem precisar descer ao solo ou caminhar sobre o asfalto. Além de evitar mortes, as estruturas ajudam a restabelecer a ligação entre áreas de floresta que foram separadas pela construção das rodovias.

Um projeto desenvolvido em Alta Floresta, no Mato Grosso, demonstra o potencial dessa solução. Oito pontes instaladas em pontos estratégicos registraram, durante 15 meses de acompanhamento, aproximadamente 15 mil travessias seguras de animais arborícolas. Nos locais monitorados, não foram registrados novos atropelamentos de primatas após a implantação das estruturas.

Macacos-prego, bugios, macacos-da-noite e outras espécies já foram flagrados utilizando as passagens. Animais como gambás, cuícas e preguiças também podem se beneficiar das pontes suspensas.

Proteção depende de diferentes medidas

As pontes de dossel são importantes, mas precisam fazer parte de um conjunto mais amplo de ações. Especialistas também defendem a instalação de placas de advertência, redução dos limites de velocidade, fiscalização, monitoramento dos trechos mais perigosos e campanhas de conscientização para os motoristas.

A localização das passagens deve ser definida com base em estudos sobre a circulação dos animais. Depois de instaladas, as estruturas precisam ser monitoradas por câmeras para verificar quais espécies conseguem utilizá-las e se houve redução efetiva dos atropelamentos.

O caso registrado na ES-164 evidencia a necessidade de incorporar a proteção da fauna ao planejamento das rodovias capixabas. Em regiões ambientalmente sensíveis, preservar a vida silvestre também significa tornar o trânsito mais seguro e garantir a sobrevivência de espécies que existem apenas em áreas muito específicas do Brasil.

Ao dirigir próximo a reservas, florestas e áreas rurais, o motorista deve reduzir a velocidade e permanecer atento à presença de animais na pista. Caso encontre um animal silvestre ferido, a recomendação é não tentar capturá-lo sem orientação especializada e acionar os órgãos ambientais ou o Corpo de Bombeiros.

Foto: uol

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