quarta-feira, 9 de setembro de 2026 / 04:18
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Setembro Amarelo: como identificar os primeiros indícios do suicídio

O suicídio é uma realidade que atinge o mundo todo e gera grandes prejuízos à sociedade. Segundo a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde – OMS, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de um milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.

Os casos de suicídio estão relacionados às doenças mentais, principalmente, não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se esses pacientes tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e informações de qualidade.

O psiquiatra e coordenador da Psiquiatria do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves – Himaba, Rafael Mazzini, foi entrevistado sobre o assunto e falou também da importância do animal de estimação para a recuperação de uma dor na alma.

Como notar que uma pessoa está com pensamentos de suicídio?

Falas e comportamentos de denotam desgosto a vida, bem como a falta de propósito na vida e sentimento de vazio emocional sugerem estado de sofrimento emocional intenso e alto risco de pensamentos de cunho suicida. Através de uma postura acolhedora, sem julgamentos, com empatia, converse com a pessoa em sofrimento para entender a situação que gerou o pensamento suicida. Vale lembrar que a presença de comorbidades psiquiátricas (depressão/ansiedade) aumentam o risco de desenvolver tais pensamentos.

Há indícios de comportamento que podem detectar um suicida?

Nesse aspecto, devemos ficar atentos aos fatores de risco para o comportamento suicida. Dentre diversos fatores, os principais são o histórico de tentativas pregressas e presença de doença mental em curso. A pessoa que já realizou tentativa previa de suicídio tem maior probabilidade de realizar nova tentativa, com maior risco de letalidade. Ansiedade e/ou transtornos de humor (dentre outros transtornos, como os transtornos psicóticos e abuso de drogas) elevam o risco de suicídio. Portanto, é de suma importância a observação de perto para notar mudanças de comportamento. Alguns indícios que valem a pena ser mencionados são as mudanças marcantes na personalidade e nos hábitos, comportamento ansioso, agitado ou deprimido, piora do desempenho no trabalho ou na escola, afastamento de amigos e família, perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas, descuido com autocuidado e alimentação, comentários autodepreciativos e negativos quando ao futuro, autolesão e, por fim, a expressão clara de querer pôr um fim na vida.

Quais as ações de conscientização realizada pelo hospital para a prevenção do suicídio?

O HIMABA é o centro de referência para emergências psiquiátricas, sendo a tentativa de suicídio umas das principais situações observadas. Dentro desse contexto, o hospital preza por uma avaliação médica e multidisciplinar criteriosa, além de atendimento acolhedor, de modo que o paciente se sinta bem recebido e que sua vida é importante. Aliado a isso, o Hospital sempre promove campanhas, como a do setembro amarelo, em que são formuladas tarefas de conscientização para todos os colaboradores, como palestras e atividades informativas expostas no Hospital.

Vale ressaltar também, que a direção implementou o setor de Humanização, no Himaba, responsável por tornar o ambiente hospitalar mais humano e digno para que todos os pacientes da ala Psiquiátrica e nas demais, possam ser verdadeiramente acolhidos.

Crianças e idosos também podem se suicidar?

Sim, houve aumento importante no número de tentativas de suicídio, principalmente em adolescentes do sexo feminino de 15 a 19 anos, e idosos homens acima de 70 anos. Nas crianças e adolescentes, destaca-se a pouca maturidade emocional, dificultando o enfrentamento das situações adversas rotineiras. Distúrbios da identidade sexual, bullying escolar, términos de relacionamento, rejeição social, perda de entes queridos, traumas emocionais são as questões mais recorrentes neste público.

Já no idoso, observamos que a mudança na rotina e no padrão de organização das relações familiares são importantes fatores de adoecimento psíquico e, consequentemente, maior risco de suicídio na terceira idade. O homem parece ser mais afetado por perder o papel de provedor pela queda da renda mensal. Além disso, vale mencionar o distanciamento de familiares (filhos saindo de casa) e/ou rotina pouco preenchida após a aposentadoria.

Quais são, geralmente, os motivos do suicídio?

Na prática médica, observamos muitas queixas envolvendo traumas emocionais recentes ou passados (abuso, perdas familiares), crises de pânico, com alto nível de sofrimento e quadro depressivo avançado. Lembrando novamente dos principais fatores de risco que são o histórico de tentativas de suicídio passadas e doença mental em curso.

Como um animal pode ajudar na recuperação de pessoas propensas ao suicídio?

O animal fornece um amparo emocional para o paciente em sofrimento psíquico, muitas vezes, ajudando a desviar o foco da doença em si ou do tratamento.  Ajuda o paciente a interagir melhor, aceitar melhor o tratamento,  expressar melhor as suas emoções. Desta forma, reduz sintomas ansiosos e depressivos,  consequentemente, reduzindo o risco de suicídio.

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