quarta-feira, 22 de julho de 2026 / 07:17
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CPI dos Maus-Tratos contra os Animais define perda da Eva como negligência

Durante reunião da CPI dos Maus-Tratos contra os Animais na última sexta-feira (9), realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (Ales), a clínica veterinária responsável pelo atendimento da chihuahua Eva reconheceu que houve erro operacional que resultou na morte da cadela, ocorrida no mês passado em Vitória.

Na ocasião, a cadela fugiu do estabelecimento e foi encontrada atropelada na Avenida Adalberto Simão Nader, na manhã de 29 de julho, dois dias depois de ter escapado do pet shop. O animal fugiu pouco antes de meio-dia de sábado, 27, depois que o motorista chegou com o serviço de transporte da empresa – ele havia acabado pegar Eva e outro cachorro, ambos de propriedade de Beatriz Ribeiro, em Jardim da Penha.

O procedimento correto para retirada do animal é que ele seja retirado dentro da caixa de transporte e levado para dentro do estabelecimento, o que não foi feito no caso da Eva. E lá dentro do estabelecimento essa porta da caixa é aberta e o animal é retirado da caixinha e colocado no ambiente do banho e tosa”, explicou a responsável técnica. Segundo ela, isso é dever do condutor.

Perguntado pela presidente da CPI, Janete de Sá (PSB), por que o procedimento não foi feito, a responsável técnica do pet shop constatou a falha. Segundo ela, o motorista aceitou o pedido da tutora para que colocasse seus dois cachorros em uma única caixa, fugindo do padrão. “Nossa orientação é colocar um pet em cada caixa de transporte”, frisou.

“Em momento algum a gente se isentou da responsabilidade”, reforçou a profissional, que revelou não ofertar mais o serviço de “taxi dog”. “Desde o primeiro momento a gente sempre manteve o contato com os tutores”, atestou. De acordo com ela, a empresa arcou como o serviço funerário a partir da autorização dos tutores. O depoimento dela foi acompanhado pelo advogado e pela proprietária do estabelecimento.

Buscas

A dona da cachorra Eva, Beatriz Ribeiro, reclamou da maneira como a clínica lidou com o ocorrido. Para ela, houve morosidade nas buscas e no repasse de informações acerca do ocorrido e também problemas na divulgação do sumiço (ela considerou a impressão dos cartazes de baixa qualidade). Conforme afirmou, ela própria, junto com familiares, ajudou nas buscas durante o final de semana.

“Só tinha, até então, o motorista atrás da cachorra. Não tinha ninguém da clínica, não teve procura pela Eva”, argumentou. Cliente há cinco anos, ela expressou ter estranhado a falta de habilidade do profissional quando ele foi até a casa dela pegar os bichos. “Não tem cara de quem trabalha com cachorro”, sugeriu. Teria chegado até ela a informação de que o homem era uma espécie de “faz-tudo” da loja.

Ladeada pela procuradora de Justiça Edwiges Dias e pelo representante do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) Rodolpho Barros, Janete de Sá chegou à conclusão que o episódio não se enquadra como crime, embora pudesse ser evitado com medidas de treinamento e de segurança. “Há que se imputar crime para o que ocorreu? Não consigo imputar (…). Mas é inegável que houve uma negligência”, opinou. “Entendemos que a situação não caracteriza maus-tratos”, concluiu. De acordo com a presidente da CPI, todo o material colhido pela oitiva será encaminhado para a delegacia que investiga a ocorrência. 
 

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